terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O público e o privado


"Em 1936, o historiador Sérgio Buarque de Holanda dedicou um dos capítulos do seu livro Raízes do Brasil ao estudo do chamado "homem cordial", termo usado então para tentar explicar o caráter do brasileiro. Um dos traços do brasileiro cordial era, segundo o historiador, a propensão para sobrepor as relações familiares e pessoais às relações profissionais ou públicas. O brasileiro, de certa forma, tenderia a rejeitar a impessoalidade de sistemas administrativos em que o todo é mais importante do que o indivíduo. Daí a dificuldade de encontrar homens públicos que respeitem a separação entre o público e o privado e que ponham os interesses do Estado acima das amizades."


Rodrigo Cavalcante.




É lamentável o fato de que muitos políticos deixem que a vida privada tenha grande interferência sobre as decisões públicas. Mais lamentável ainda é o fato de que muitos deixem que simples discordâncias políticas interfiram em decisões acerca do bem-estar da população.
Confesso que sou leiga em se tratando de política. Não sei dizer nada sobre o panorama político internacional, ou mesmo o nacional ou estadual. No entanto, me esforço para acompanhar a política de meu município, uma vez que posso fazê-lo diretamente e suas decisões têm grandes repercussões sobre a minha vida. E a cada dia, fazê-lo tem me feito lamentar mais.


Quem é meu conterrâneo já sabe do que estou falando. Para possíveis leitores não itajobienses, explico o ocorrido. A prefeitura conseguiu a liberação de mais de um milhão de reais para a reforma de uma escola de primeiro e segundo grau de Itajobi. No entanto, os vereadores da oposição foram contra a utilização do dinheiro, alegando que a escola não necessita de reformas ou mesmo que aceitá-lo seria dar um passo rumo a sua municipalização (o que, diga-se de passagem, ocorrerá até 2012 por lei estadual). O dinheiro terá que ser devolvido e os alunos começaram o próximo ano letivo em uma escola com uma infra-estrutura que deixa a desejar.


Não me prolongarei no ocorrido. Meu objetivo aqui é outro. Procuro fazer minha pequena parte para que a população se conscientize da necessidade de divulgar fatos como este e, mais ainda, refletir sobre eles ao invés de apenas choacoalhar os ombros em atitude de desdém.


Porque, enfim, só nos resta divulgar e lamentar muito a existência de políticos que permitem que embates políticos fiquem acima do bem estar da população e seu desenvolvimento. E nos resta muito mais esperar que os eleitores também não permitam que mimos e promessas de vantagens pessoais fiquem acima de perspectivas claras de melhora de sua qualidade de vida e desenvolvimento de sua cidade natal.


E depois passem os dias reclamando da desonestidade política que assola o país e da precariedade dos serviços públicos...

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