
Uma janela de metal, 100 centímetros quadrados de mundo. A janela olhava. Pensava a vida pelo olhar. Não olhava por seu vidro embaçado ou parapeito encardido. Olhava profundamente por seus olhos de carne, sangue e pensamentos. Flácidos pensamentos. Ela os trazia, intrísecos a seu metal colado à pele e à vida, a vida que ali se debruçava, se entregava, uma necessidade ardente e, por vezes, perigosa. E debruçada sobre esse desejo lânguido, a carne e o metal olhavam por uma única visão, a captar eternamente a metafísica do asfalto e da alma.
