Feche um dos olhos e foque sua visão no que estiver a sua frente. Agora abra-o, feche o outro olho e continue a focar a mesma direção. Por fim, veja a mesma cena com os dois olhos. Percebeu a diferença?
Vou ser sincera: de imediato, também não fui capaz de percebê-la. Foi apenas depois de algum tempo de examinação curiosa que a diferença cresceu e consegui notá-la.
A principio, pode parecer muito sutil, mas com o tempo fica claro: a percepção de profundidade só existe com a fusão da imagem captada pelos dois olhos. A visão de apenas um olho é plana, bidimensional. É como se os objetos, distantes e próximos, estivessem todos juntos, em uma superfície de fotografia. É preciso que a imagem dos dois olhos se fundam em uma única para haver a discriminação perfeita da distância.
É fácil perceber isto ao observar um dedo bem a frente dos olhos. A imagem do olho direito revela a "frente" do dedo, bem como uma parte da lateral direita. Já a imagem do olho esquerdo revela a "frente" e uma parte da lateral esquerda. Fundidas as imagens, ao se observar o dedo com os dois olhos, é possível ver ao mesmo tempo as três partes: a "frente", a lateral direita e a esquerda: uma imagem tridimensional!
Normalmente, no dia-a-dia, não nos damos conta deste fato. Mas o que aconteceria se, por um infeliz acidente, você perdesse esta capacidade e passasse a ver, de uma hora para a outra, o mundo de uma maneira plana, como uma fotografia?
Este é o drama do famoso neurologista Oliver Sacks. Sacks, que sempre fora admirador desta capacidade, vê-se perdendo-a progressivamente em virtude de uma doença. E revela detalhadamente este experiência em seu livro O Olhar da Mente, em meio a diversas outras histórias formidáveis sobre os limites entre os olhos e a mente.
Sacks explora estes limites relatando casos curiosos - e por vezes trágicos - de pacientes. Histórias como o caso do homem que perdeu subitamente sua capacidade de ler, embora sua visão estivesse totalmente preservada e mantivesse sua capacidade de compreender letras individualmente.
Os casos revelam que a relação entre a mente e os olhos é bastante complexa e por vezes mesmo obscura. E que os processos realizados entre o fato de você olhar para sua mão e formar a imagem dela em sua mente parecem ser conduzidos majoritariamente pelo seu cérebro, não pelo seus olhos, de uma maneira incrivelmente complexa e bela.
Vale a pena ler!
.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)


