
"A Fraternidade é Vermelha" é um filme francês do diretor Kieslowski, o último da trilogia das cores, a qual é composta também por "A Liberdade é Azul" e "A Igualdade é branca",uma alusão às cores da bandeira francesa e aos ideais da Revolução Francesa.
Acredito que seja realmente uma pena não ter tido a oportunidade de assistir aos outros dois filmes. Me encantei por "A Fraternidade é vermelha".
O enredo pode parecer, à primeira impressão, monótono e pouco interessante. Trata-se de uma jovem modelo que acidentalmente atropela uma cadela, e acaba por criar uma cumplicidade com relação a seu antigo dono, um velho juiz aposentado que cultiva o estranho hábito de espionar as conversas telefônicas de seus vizinhos. Aos poucos, o enredo vai tornando-se cada vez mais denso e cativante. Personagens que apareciam quase como figurantes nas cenas vão tomando espaço. Fatos que pareciam não deter importância alguma vêm a tona. E entre o diálogo dos personagens principais vão se infiltrando interessantes discussões sobre a justiça, a moralidade e a própria vida. Mágico!

A mescla de passado e presente deixa a impressão de ciclicidade e - por que não? - de uma certa fatalidade inerente à vida humana, a qual dissolve todo o embate que se esperaria ocorrer entre as duas gerações representadas pelas personagens principais. A Fraternidade é discutida de uma forma implícita e suave, através de divergências quanto a sua utilização enquanto meio de se obter satisfação pessoal ou ser solidário quanto à outra pessoa.
Não bastasse isso, o filme ainda conta com uma excelente técnica de fotografia. Há um predomínio notável de tons quentes, que dão um ar de intensidade às cenas, além do fato de haver praticamente em todas as cenas pelo menos um elemento vermelho - seja ele uma luz do semáforo, um automóvel ou uma peça de roupa. Não importa! O vermelho do título tinge a tela com a sua imponência e traz ainda mais grandiosidade aos ricos diálogos do filme.
Vale a pena assistir!
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