terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ano novo!

O que aontece quando os relógios marcam o horas na noite de 31 de dezembro?

Nada!

Calma! Não sou contra as festas de final de ano (Aliás - adoro!).

Apenas gostaria de registrar o fato de que a simples utilização de uma marcação de tempo - o calendário - tem um efeito psicológico profundo em nós.

Quem nunca escreveu listas de promessas no final do ano? Que nunca parou para pensar sobre os acontecimentos do ano que passou? Quem nunca esperou mudanças para 'o ano seguinte"?

Racionalmente, sabemos que a vida é contínua e não pode ser dividida em períodos pré-programados e aplicados a todos os seres humanos sem distinções. Mas não resistimos a tentação de pensar desta forma. Seja porque é funcional e nos ajuda grandemente a nos organizar - em nível de sociedade inclusive- , seja porque cria a impressão mágica de que a vida é cíclica e tem a oportunidade de renovar-se a cada ano.

Seu emprego não te deu satisfação? Não estava empregado? Problemas na família, de saúde ou finaceiros? Tudo bem! A troca de calendários na parede é a maneira mais eficaz de renovar as esperanças e as promessas - implantando em nós a motivação e a persistência para seguir em frente. E para tentarmos sempre sermos filhos, pais, profissionais e parceiros "melhores" durante o próximo ano.

E ao fim deste próximo ano, quando estivermos sentados novamente na escrivaninha elabrorando uma nova lista de promessas, possamos nos deparar com a delícia de peceber o quanto avançamos - seja financeira, intelectual ou moralmente - durante o ano.

E principalmente para que possamos também perceber nossas falhas e insatisfações e elaborar uma nova lista de promessas - que pode inclusive repetir alguns itens do ano que se foi (e que nunca serão concretizados!) - mas que enfim, tem o poder de nos ajudar a dar um passo a mais - embora por vezes bem tímido - rumo a nosso ideal humano!

Bom ano novo a todos!

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O público e o privado


"Em 1936, o historiador Sérgio Buarque de Holanda dedicou um dos capítulos do seu livro Raízes do Brasil ao estudo do chamado "homem cordial", termo usado então para tentar explicar o caráter do brasileiro. Um dos traços do brasileiro cordial era, segundo o historiador, a propensão para sobrepor as relações familiares e pessoais às relações profissionais ou públicas. O brasileiro, de certa forma, tenderia a rejeitar a impessoalidade de sistemas administrativos em que o todo é mais importante do que o indivíduo. Daí a dificuldade de encontrar homens públicos que respeitem a separação entre o público e o privado e que ponham os interesses do Estado acima das amizades."


Rodrigo Cavalcante.




É lamentável o fato de que muitos políticos deixem que a vida privada tenha grande interferência sobre as decisões públicas. Mais lamentável ainda é o fato de que muitos deixem que simples discordâncias políticas interfiram em decisões acerca do bem-estar da população.
Confesso que sou leiga em se tratando de política. Não sei dizer nada sobre o panorama político internacional, ou mesmo o nacional ou estadual. No entanto, me esforço para acompanhar a política de meu município, uma vez que posso fazê-lo diretamente e suas decisões têm grandes repercussões sobre a minha vida. E a cada dia, fazê-lo tem me feito lamentar mais.


Quem é meu conterrâneo já sabe do que estou falando. Para possíveis leitores não itajobienses, explico o ocorrido. A prefeitura conseguiu a liberação de mais de um milhão de reais para a reforma de uma escola de primeiro e segundo grau de Itajobi. No entanto, os vereadores da oposição foram contra a utilização do dinheiro, alegando que a escola não necessita de reformas ou mesmo que aceitá-lo seria dar um passo rumo a sua municipalização (o que, diga-se de passagem, ocorrerá até 2012 por lei estadual). O dinheiro terá que ser devolvido e os alunos começaram o próximo ano letivo em uma escola com uma infra-estrutura que deixa a desejar.


Não me prolongarei no ocorrido. Meu objetivo aqui é outro. Procuro fazer minha pequena parte para que a população se conscientize da necessidade de divulgar fatos como este e, mais ainda, refletir sobre eles ao invés de apenas choacoalhar os ombros em atitude de desdém.


Porque, enfim, só nos resta divulgar e lamentar muito a existência de políticos que permitem que embates políticos fiquem acima do bem estar da população e seu desenvolvimento. E nos resta muito mais esperar que os eleitores também não permitam que mimos e promessas de vantagens pessoais fiquem acima de perspectivas claras de melhora de sua qualidade de vida e desenvolvimento de sua cidade natal.


E depois passem os dias reclamando da desonestidade política que assola o país e da precariedade dos serviços públicos...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O que você aprende na faculdade


Seja sincero: quanto do conhecimento que você faz uso hoje em sua profissão foi adquirido em disciplinas da faculdade?

Esta questão vem me intrigando a algum tempo, espreitando aqui e ali, furtivamente. Finalmente, pegou-me fortemente quando soube da possibilidade de realizar atendimentos em meu estágio durante o ano que vem e, principalmente, pelo fato de perceber que estou a caminho de completar a metade de minha graduação.

Encaminho-me para o terceiro ano da graduação em psicologia e, no entanto, não me sinto minimamente qualificada para exercer tal profissão!
Contra tal acusação, alguns poderão argumentar: "É cedo ainda", ao qual outros dirão: "Algumas coisas você só aprende na prática"

Peço perdão se o leitor compartilha destas idéias, mas absolutamente não acredito em sua validade. Tentarei, aqui, expor meu descontentamento.

A graduação é tida hoje, ao menos no Brasil, como a principal forma de adquirir habilidade e conhecimento para desenvolver atividades profissionais. No entanto, não estou muito certa da sua capacidade para cumprir esta função. A maior parte das disciplinas ministradas são essencialmente introdutórias ou tendem muito para a generalização de conceitos. Ao final, sabe-se sobre muito, mas quase nada sobre o essencial.
O que percebo hoje, na minha graduação em Psicologia, é que perde-se muito tempo para "formar a base" e pouco dedica-se ao ensino de conceitos e estratégias práticas fundamentais ao exercício da função de psicólogo. Estudos sobre a estrutura do cérebro, seu mecanismo de funcionamento e especialmente a história da disciplina somam grande parte do calendário acadêmico. Também o fazem disciplinas relacionadas a pesquisa, a despeito do fato de que apenas uma pequena porcentagem dos estuidantes seguirá carreira acadêmica.

Não acredito que tais conhecimentos sejam "inúteis". Reconheço sua importância, prezando, no entanto, por um remanejamento da dedicação dispensada a cada uma delas. Acredito na importância de se compreender o funcionamento anatômico e fisiológico do cerebro. No entanto, acredito ainda mais na necessidade de se obter um entendimento completo acerca de suas especificidades na ocorrência de neuropatologias. Da mesma forma, compreendo a importância do conhecimento da história de uma disciplina. Mas não compreendo o fato de seu estudo por vezes suplantar o estudo das contribuições atuais da disciplina em termos de conceitos e teorias. Afinal, são estes conceitos e teorias que - espera-se - deverão embasar a prática do profissional.

Em resumo, a graduação tem, pois, dedicado-se a fornecer a base para o formação do profissional. Isso não seria ruim não fosse o fato de que o aprofundamento fica creditado ao estudo externo às obrigações da graduação - o que nem sempre acontece.

Assim, bons profissionais devem atentar-se para cursos e especializações externas, além de montantes de livros infindáveis. Enquanto colocamos no mercado uma maioria de profissionais que não dispõe de tempo, dinheiro ou vontade para tal façanha. E pagamos por isso.

Ou a estrutura da graduação deveria ser modoficada ou deveríamos admitir, enfim, que esta não é capaz de formar sozinha profissionais completos para o mercado de trabalho.




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Domingo a tarde



Há neste mundo momento mais temido e odiado do que o domingo a tarde? Não, creio que não. Já na sexta-feira vem aquele desespero, aquela angústica e aquela dúvida sufocante: O que fazer com este tempo? Dramas a parte, que atire a primeira pedra quem nunca sentiu-se entendiado em um domingo a tarde. Ou melhor, compartilhe suas idéias! Aqui vão as minhas...


A opção mais clássica de todas! Devo admitir que até um tanto quanto entendiante, mas de qualquer forma, é válida. Especialmente para os dias de preguiça...
Jogos de tabuleiro
Divertidos! Pena que nos fazem enjoar rápido...
De longe meu favorito é o Imagem e Ação. Com mímica, é claro!

Jogos de cartas
Especiais também para os dias de preguiça

Pedalar
Nada melhor do que sair para pedalar um pouco no domingo a tarde. Não, este programa definitivamente não é para os dias de preguiça!

Cozinhar
Cozinhar no domingo a tarde?? Não, não pirei... Não é preciso ser nenhum prato elaborado, apenas um brigadeiro, uma pipoca ou um bolinho de chuva. No máximo um pão de queijo! Sempre é válido.

Conversar
Você queria o que, hein? Sou estudante de psicologia!


Quais são suas idéias para o domingo a tarde?


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domingo, 25 de outubro de 2009

Planos de Vida

Todo mundo tem planos para a vida. Grandes e pequenos, utópicos e ridículos. Comigo, não é diferente.
Aqui vai uma pequena lista dos meus planos:

Ser psicóloga
Ter um cachorro
Realizar trabalho voluntário
Viajar
Pedalar por hobby
Aprender a tocar violão
Ler
Não acompanhar novelas
Comer uma maçã por dia
Aprender a dançar forró
Rir muito
Jamais assistir programas de auditório
Falar outra língua
Ter um blog atualizado


Quais são seus planos?


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sábado, 3 de outubro de 2009

Minha Canção


Dorme a cidade
Resta um coração
Misterioso
Faz uma ilusão

Soletra um verso
Lá na melodia
Singelamente
Dolorosamente

Doce a música
Silenciosa
Larga o meu peito
Solta-se no espaço
Faz-se certeza
Minha canção


Réstia de luz onde
Dorme o meu irmão
(Chico Buarque)
Só para contextualizar: Esta foi a música que utlizamos ontem no final da intervenção dos Alegrologistas no hospital. Desde então, não consigo parar de ouvi-la!

domingo, 22 de março de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Cacos de vida




O trabalho do poeta é justamente o de gerar uma idéia, fragmentá-la e esconder alguns destes preciosos cacos em palavras sublimes e musicais, oferecidas de graça a todos que encontrem prazer em reuni-los todos, colando-os uns aos outros, numa atividade paciente e infinita.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vilão ou Mocinho?

Steven Pinker, em “Como a Mente Funciona”, afirma que “ninguém pode examinar as emoções sem ver nelas a fonte de muitas tragédias humanas”. De fato, a maioria das reações desagradáveis, dos sofrimentos humanos e das motivações para as mais “sinistras” ações são respostas emocionais. Isso porque nossos instintos foram moldados para atender ao propósito único de aumentar as chances de propagação de cópias dos nossos genes. Mesmo que isto implique proporcionar infelicidade ou incapacidade de compreensão ao indivíduo que os detém.


Dentre todos os infortúnios oriundos do processamento emocional, Pinker destaca o auto-engano. Segundo ele, o auto-engano “faz com que nos julguemos corretos quando estamos errados e nos encoraja a lutar quando deveríamos nos render”

O auto-engano seria, pois, um enorme empecilho à capacidade de compreensão humana, uma vez que confunde a nossa noção de realidade. Assim, o senso próprio do indivíduo de moralidade e de justiça deixa-se esculpir por diversas situações, e fica vulnerável a influência de ideologias, crenças e desejos próprios a este indivíduo.

O resultado é que “na vida real, os vilões estão convencidos de sua integridade”. Não há quem faça julgamento de si mesmo com um ser perverso ou tirano. Todas as nossas ações e pensamentos têm um propósito claro e justo a nossos olhos, por mais que possam parecer absurdos aos olhos de outros. Se Hitler foi um ator, concluiu um biógrafo, “foi um ator que acreditou no seu papel”


Estendendo um pouco a provocação, acredito que, como sugere Ilana Casoy, esta falta de percepção para o “mal” que existe em nós é talvez a maior motivação para o nosso fascínio pela violência. Segundo a autora de “Serial Killer: Louco ou Cruel?”,a crueldade dá ibope porque leva a uma identificação indesejada e por vezes até não aceita. “Você fica desesperadamente falando no assunto para tentar provar que o outro é um psicopata, frio, calculista, cruel, bem diferente de você. É preciso distanciá-lo do que nós somos”, diz a autora.


Mas a maior provocação que o argumento do auto-engano pode causar refere-se à questão da justiça. Se todos estamos presos a uma visão pouco objetiva dos fatos, qual a validade dos critérios que distinguem um crime e condenam uma pessoa?
Mais uma vez a complexidade da mente nos traz a resposta. E Steven Pinker encerra o assunto dizendo:

“Ainda assim, graças à complexidade de nossa mente, não precisamos ser eternamente logrados por nossas próprias trapaças. A mente possui muitas partes, algumas moldadas para a virtude, outras, para a razão, algumas espertas o bastante para levar a melhor sobre as partes que não sejam nem uma coisa, nem a outra. Um eu pode enganar outro, mas de vez em quando um terceiro eu vê a verdade”

E através da visão de terceiros eus, tecem-se os princípios universais de moralidade.



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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Como a mente funciona?


A arte de capa simples e direta realmente não é muito convidativa. Tampouco o são as 666 páginas que a recheiam. Mas o título é tão presunçoso, e até mesmo arrogante, que não há como não se sentir atraído a lê-lo. E a descobrir, a cada página, que toda a arrogância que o título exala tem motivo.

Já no início, Steve Pinker admite a presunção do título, discorrendo sobre os grandes avanços obtidos pela Psicologia e a Neurologia, o que possibilitou elevar diversos aspectos da mente à categoria de problemas, enquanto outros ainda permanecem como mistérios. De fato, as vinte e oito páginas dedicadas à referências bibliográficas já demonstram a abrangência e o caráter atual do livro. “Como a Mente Funciona” é, sem sombra de dúvida, o livro mais abrangente, interessante e instigante sobre a mente humana que já tive a oportunidade de ler.

Valendo-se da Teoria computacional da mente, segundo a qual “a força vital da psique é a informação e não a energia”, e da moderna teoria da evolução, que “requer a engenharia reversa do design complexo de sistemas biológicos”, com uma influência marcante de Richard Darwkins, Steven Pinker lança luz a uma infinidade de questões relacionadas à psique humana, trazendo questionamentos profundos e argumentações sempre muito bem baseadas e estruturadas, de uma forma fácil e agradável, além de bem-humorada.

O livro discorre sobre uma grande diversidade de aspectos psicológicos, desde o funcionamento de mecanismos cerebrais, até emoções complexas como culpa e luto, passando por mecanismos de percepção e a atração sexual, na tentativa de explicar o funcionamento da mente humana.


E não unicamente explicar como a mente funciona, mas o porquê dela funcionar assim e as conseqüências disso para a sociedade.O resultado desta abordagem são explicações para a maioria dos fenômenos sociológicos, psicológicos e criminológicos com que convivemos

Assim, cada aspecto, mecanismo, comportamento, crença e desejo humano é esmiuçado e questionado, sendo apresentado o conhecimento acumulado a seu respeito, sem nunca, porém, esgotar a questão. E este é talvez o maior crédito do livro. Apresentar um direcionamento confiável sem trazer afirmações absolutas e acabadas

Há ainda uma outra qualidade do livro que chama muito a atenção. A capacidade de despertar em pessoas comuns como eu, questionamentos essencialmente científicos, trazendo um olhar objetivo sobre o funcionamento da mente humana.

E no desfecho, um capítulo com um título tão presunçoso quanto o que vem com letras garrafais na capa: O Sentido da Vida. Steven Pinker fecha “Como a Mente Funciona” com chave de ouro ao questionar tudo aquilo que é considerado nobre e digno de admiração, embora biologicamente frívolo e vão: a arte, a religião e a filosofia.

Simplesmente me apaixonei por “como a mente funciona” e recomendo o livro a todos que se sentem atraídos pelos segredos da mente. Se você, como eu sentiu-se curioso ao ler o título nessa capa desprovida de cor e sem graça, não tenha duvídas, vá em frente. Garanto que não vai se arrepender!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Fraternidade é vermelha

Assisti recentemente a este filme que definitivamente vale um post aqui.



"A Fraternidade é Vermelha" é um filme francês do diretor Kieslowski, o último da trilogia das cores, a qual é composta também por "A Liberdade é Azul" e "A Igualdade é branca",uma alusão às cores da bandeira francesa e aos ideais da Revolução Francesa.

Acredito que seja realmente uma pena não ter tido a oportunidade de assistir aos outros dois filmes. Me encantei por "A Fraternidade é vermelha".

O enredo pode parecer, à primeira impressão, monótono e pouco interessante. Trata-se de uma jovem modelo que acidentalmente atropela uma cadela, e acaba por criar uma cumplicidade com relação a seu antigo dono, um velho juiz aposentado que cultiva o estranho hábito de espionar as conversas telefônicas de seus vizinhos. Aos poucos, o enredo vai tornando-se cada vez mais denso e cativante. Personagens que apareciam quase como figurantes nas cenas vão tomando espaço. Fatos que pareciam não deter importância alguma vêm a tona. E entre o diálogo dos personagens principais vão se infiltrando interessantes discussões sobre a justiça, a moralidade e a própria vida. Mágico!





A mescla de passado e presente deixa a impressão de ciclicidade e - por que não? - de uma certa fatalidade inerente à vida humana, a qual dissolve todo o embate que se esperaria ocorrer entre as duas gerações representadas pelas personagens principais. A Fraternidade é discutida de uma forma implícita e suave, através de divergências quanto a sua utilização enquanto meio de se obter satisfação pessoal ou ser solidário quanto à outra pessoa.

Não bastasse isso, o filme ainda conta com uma excelente técnica de fotografia. Há um predomínio notável de tons quentes, que dão um ar de intensidade às cenas, além do fato de haver praticamente em todas as cenas pelo menos um elemento vermelho - seja ele uma luz do semáforo, um automóvel ou uma peça de roupa. Não importa! O vermelho do título tinge a tela com a sua imponência e traz ainda mais grandiosidade aos ricos diálogos do filme.

Vale a pena assistir!


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