sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Felicidade: Linha Reta ou Círculo?

Como toda ocidental, eu também sempre imaginei a felicidade como um caminho a ser trilhado. Talvez, até mais do que trilhado, um caminho a ser conquistado, batalhado. Quem nunca leu mensagens Power Point que tratam da felicidade como tal? Você deve almejar, lutar, passar por obstáculos para que, enfim, possa alcançar a tão aclamada felicidade. Felicidade traduzida - ao menos para os mais tradicionais - em estabilidade financeira, casamento, filhos, casa nova, carro na garagem. Uma felicidade estável e duramente conquistada.



Esta imagem estava tão cristalizada em minha mente que me impressionei a ler sobre o conceito oriental de felicidade. Longe do nosso conceito linear, os orientais atentam-se muito mais para a existência de ciclos no decorrer da vida. Os altos e baixos são considerados como inerentes à existência humana, de modo que adaptar-se a este ritmo, encontrando sentido em cada alto e baixo é o grande objetivo almejado. Fazer com que o processo de mudança se torne natural seria o correspondente a alcançar a felicidade.



O equilíbrio entre emoções positivas e negativas, situações adversas e prazerosas - ilustrado na imagem do Yin/Yang, ou mesmo no provérbio chinês "A boa sorte pode anunciar uma desventura, a qual, por sua vez, acaba por revelar uma boa sorte" corresponde a esta idéia de felicidade. E, talvez, revele uma noção muito mais realista e adaptativa da existência humana. Nem uma felicidade completa, nem um caminho de pedras, a felicidade oriental está em se adequar ao que a vida traz, dançar conforme a música e extrair experiências positivas e sentido de cada situação. A busca pelo equilíbrio e o bom manejo em situações adversas. Um conceito mais difícil de seguir, por envolver crescimento pessoal e esforço, mas muito provavelmente, de maior capacidade de imprimir satisfação, significado e valor à vida - peças-chave para a felicidade.


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