quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O desconforto que nós, mulheres ocidentais, sentimos quando olhamos para uma mulher sob uma burca, está presente ali também, debaixo dela? Os casamentos arranjados causam nas noivas tanto desagrado quanto imaginamos quando nos colocamos em seu lugar?
Estas eram questões que me intrigavam sempre, especialmente depois de algumas doses de aulas de antropologia na faculdade. Afinal, algumas tradições são questão de desrespeito aos direitos humanos ou apenas de existência de diferentes culturas?
Acredito que O Livreiro de Cabul respondeu-me estas perguntas - dando-lhe as mais trágicas respostas.
O livro descreve o cotidiano de uma família afegã - não uma família típica, como diria Asne, mas singular.
E, página a página, é possível perceber o quanto o respeito quase incondicional à tradições antigas é fator de opressão a quase todos os seu membros. Desde o adolescente confinado à livraria do pai, sonhando com estudos, amigos e mulheres, até a irmã mais nova do livreiro, escrava da família, a qual parece fadada a passar seus dias varrendo a insistente poeira do chão.
No entanto, o livro surpreendeu-me ainda mais a expor homens e mulheres que indignam-se com seu destino, fogem, vão à luta, procuram por uma vida melhor. Mulheres, inclusive, que vão à rua calçando chinelos e sandálias em protestos contra a burca e a opressão sofrida.

Para então apenas perceberem o quanto é inútil tentar...


Vale a pena ler!

.

Nenhum comentário: