quinta-feira, 19 de julho de 2012


O que determina o sucesso profissional de uma pessoa?
Inteligência? Esforço e determinação? Boa rede de contatos?

E o que determina o sucesso de uma marca de produtos?
Bom marketing? Preço? Qualidade?

O que determina o sucesso de um livro, filme ou música?
Qualidade? Capacidade de ser comerciável? "Teor" artístico?

Acredito que todas as respostas estejam corretas. Mas, além delas, há uma outra extremamente importante, mas nem sempre lembrada: o acaso!

Sim, o acaso! Duvida?

Dados de uma pesquisa realizada com consumidores nas ruas demonstrou que, embora a grande parte deles afirmasse que preferia uma marca de refrigerantes a outra, não era capaz de distinguir a marca preferida em um teste cego. 


Um destes óculos é da RayBan e custa R$600,00. Os outros são réplicas, e valem de R$ 20,00 a R$ 40,00. Você seria capaz de identificar o original?

Em outro experimento, que buscava avaliar quais elementos de uma música determinavam seu sucesso, foi entregue a quatro grupos de participantes com características semelhantes uma playlist de músicas. Um a um, os participantes deveriam selecionar sua preferida, de modo que os outros participantes tinham conhecimento sobre os votos dos anteriores. Os resultados demonstraram que as músicas que receberam mais votos no início acabaram sendo selecionadas pelos participantes em um número surpreendentemente maior de vezes, no melhor efeito "maria-vai-com-as-outras". E as músicas que receberam mais votos diferiram totalmente entre os quatro grupos. Aparentemente, o fato de a música ter recebido, ao acaso, mais votos de início, era o que lhe garantia o primeiro lugar no ranking. 

E não pense que isso só acontece com leigos!

Uma pesquisa com especialistas em vinho apontou que estes eram muito mais influenciados pelas notas que os vinhos haviam recebido em avaliações passadas do que por quaisquer outros atributos no momento de determinar o valor da bebida.

Interessante, não é?

E o que dizer das artes?


A obra acima, vendida pela bagatela de US$ 2,8 milhões, não é uma fotografia tradicional. Trata-se, ao invés disso, de uma fotografia de propaganda de cigarro Malboro. Convenhamos: O que há de artístico, genial ou único em fotografar um anúncio? Acontece que a obra é assinada pelo fotógrafo Richard Prince, o que lhe confere notoriedade e, claro, vários dígitos no valor. No mercado das artes, o valor tem pouca relação com a estética, e muito mais ligação com a movimentação de mercado. Se a produção de um artista, por qualquer motivo, valoriza-se entre curadores, museus e compradores, seu preço dispara. Será que aqui temos também um efeito “maria-vai-com-as-outras”?

Ok. O sucesso de marcas, produtos e mesmo obras de arte parece possuir, em várias ocasiões, muito menos relação com atributos do que com o acaso. Mas o que dizer de pessoas e carreiras?

Bem... Cometer acertos e erros quase nunca depende somente de competência. E por diversas vezes, produtores que emplacaram vários sucessos de bilheteria de forma seguida simplesmente passam a produzir um fracasso atrás do outro. O que pode ter acontecido com eles em tão pouco tempo? Perderam a inspiração? Simplesmente deixaram de ser criativos e ter faro bom para sucesso?

...Ou estas oscilações poderiam ser também fruto de acaso?



Leonard Mlodinow aponta estes e muitos outros fatos curiosos em “O Andar do Bêbado”. De forma cativante, irreverente e persuasiva, Mlodinow nos leva a refletir sobre o acaso e sua enorme influência, de eventos cotidianos a grandes momentos históricos. Conhecimentos de estatística, psicologia e antropologia se mesclam com maestria, cercando-nos de todos os lados e nos fazendo deparar com nossa enorme dificuldade em aceitar o acaso e compreendê-lo.

Para Mlodinow, os processos aleatórios são fundamentais na natureza e onipresentes em nossa vida cotidiana, mas embora reconheçamos o efeito do acaso para eventos simples, como um jogo de dados, não conseguimos lidar com o fato de que este possa determinar grandes eventos, especialmente quando se trata de nossa vida pessoal e profissional. E isso nos leva muitas vezes a tomar decisões erradas, apoiados na ilusão de que estamos sempre no controle de nossas vidas e dos eventos que nos cercam.

Com certeza, um livro que vale a pena ser lido se você quer desafiar suas crenças sobre o mundo, as pessoas e, especialmente, seu conceito de sucesso!

...E entender que, às vezes, no caminho do sucesso, nos parecemos muito menos com um executivo determinado galgando os degraus de uma escada do que um bêbado errante.  


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