Não há absolutamente nada mais irritante para uma criança do que uma mãe decidindo o que ela vai vestir, comer, fazer e falar. Não, definitivamente não há nada mais irritante do que uma mãe controlando cada ação de seu filho. E pior quando o faz acreditando piamente que é pelo bem dele.
Pois bem. Discutamos o caso.
Há tempos é conhecida pela psicologia a necesidade de autoafirmação de cada sujeito, bem como a necessidade de sentir-se no controle de sua própria vida. Esta última mostra-se imprescindível para o bom funcionamento psicológico do indivíduo, uma vez que um esquema de pensamento marcado pela impressão de não possuir controle sobre os acontecimentos cotidianos está intimamente relacionado a sentimentos depressivos. A ligação é clara: se não há controle sobre a própria vida, qualquer problema se transforma em uma desgraça, ao mesmo tempo em que as conquistas são frequentemente atribuídas a sorte ou acaso.
Em um clássico experimento, foi introduzida na vida de um grupo de idosos residentes em um asilo algum grau de controle sobre sua rotina. Assim, permitiu-se que estes escolhessem a data em que gostariam de assistir a um filme e também uma planta para cuidarem. Parece coisa boba, mas esta pequena mudança foi capaz de reduzir em 50% o índice de mortalidade entre esta população, em comparação a seus colegas que não tiveram esta oportunidade de escolha. A controlabilidade realmente faz bem a nossa psique!
Mas além de melhor adaptação psicológica, estou convencida de que a capacidade e a motivação para fazer escolhas referentes a própria vida também pode estar relacionada a outras características positivas, especialmente no que diz respeito ao ambiente escolar.
Estudos mostram que crianças cuja grade escolar é mais flexível tendem a apresentar maiores índices de criatividade, além de motivação para desempenhar tarefas escolares. No entanto, a quase absoluta maioria das escolas investe em grades rígidas e extremamente desmotivadoras. As tarefas escolares inevitavelmente são encaradas enquanto obrigações, cujo valor nem sempre é compreendido pelos estudantes. Cerca de doze anos de vida escolar são necessários para que, enfim, possa-se ter algum controle sobre o próprio aprendizado. Seja pela escolha do curso em si, seja pela própria flexibilidade inerente, a faculdade finalmente representará a oportunidade de reflexão sobre os próprios interesses e desejos profissionais e as primeiras oportunidades para o estudo e leitura por prazer, não obrigação.
Não sou anarquista, nem acredito que devemos deixar as crianças entregues a sua própria vontade. No entanto, prezo por uma maior liberdade e oportunidade de fazer escolhas! Acredito que o ato de optar é também um comportamento a ser aprendido, e como tal deve ser praticado desde tenra idade. Pois a capacidade e a motivação para fazer escolhas é também, acima de tudo, garantia de independência e boa adaptação, seja ela pessoal ou profissional.
Vale a pena pensar sobre

Nenhum comentário:
Postar um comentário