O professor pediu que nos reuníssemos em grupo e distribuiu entre nós uma folha com diversas questões cotidianas relacionadas a psicologia, como por exemplo, uma pergunta sobre os motivos que levam um estudante a entrar em uma escola/universidade armado e atirar em seus próprios colegas.
Pois bem. Em poucos minutos todos tínhamos em mãos uma grande quantidade de respostas. E muita convicção acerca de sua validade.
Meu professor passou então a ouvir atentamente todas as opiniões. E quando achávamos que iria nos dar as respostas, ele nos surpreendeu. Nos surpreendeu ao mostrar que absolutamente não havia resposta correta para nenhuma das questões propostas. E, no entanto, nós - recém saídos do vestibular - acreditávamos que poderíamos dizer muito sobre o assunto. Ledo engano!
Enfim, o sentido do exercício foi mostrar que, por lidar com fatores cotidianos, a Psicologia está sujeita a ter suas questões analisadas pelo senso comum. O resultado disso, é que quase todos nós acreditamos ser um pouco psicólogos e que nossa opinião é válida, sim, para a resolução destes problemas - afinal, vivenciamos muito deles!
Pois quando o assunto é física quântica, botânica ou mesmo genética nenhum leigo se arrisca a dar um pitaco. No entanto, no que diz respeito a questões de Psicologia - que, justiça seja feita, são tão complexas quanto, ou até mesmo mais complexas do que, questões de física quântica, botânica ou genética - todos acreditamos ter uma resposta na ponta da língua - e não só acreditamos como defendemos essa opinião (e - diga-se de passagem - a maioria dos jornalistas, apresentadores ou mesmo celebridades babacas não deixam de o fazer em veículos de massa).
Eu realmente amo ser estudante de Psicologia. Mas odeio quando, em uma conversa casual, cito algum conhecimento desta disciplina e alguém diz: "Não acho" ou "Não é assim", como se o tópico fosse questão de opinião ou achismo.
Não acredito que psicólogos nunca devam ser contrariados. Afinal, há uma extensa gama de questões em aberto dentro da Psicologia e mesmo pontos em que há discordância entre diferentes teorias. No entanto, há também muito conhecimento consagrado por anos de pesquisas com provas empíricas e resultados consistentes. E estes achados devem ser respeitados, tal qual o conhecimento em física, botânica ou genética!
Não se criam físicos, botânicos ou geneticistas sem anos de estudo e leitura. Como também não se criam psicólogos. E por isso, nós psicólogos, merecemos respeito sim. Afinal, nos baseamos em anos de estudo e pesquisa empírica e não na conversa da vizinha.

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